
Ao longo deste texto, exploramos a interseção entre Cultura Material, Museologia e Paleontologia, destacando como os fósseis transcendem sua forma tangível para adquirir significados culturais e científicos que ecoam ao longo do tempo, constituindo-se como elementos de memória (da ciência e da própria Terra). A Cultura Material desempenha um papel importante na manifestação cultural de um grupo social, refletindo suas crenças, costumes e heranças, e servindo como registros de suas existências. Os fósseis possuem uma dualidade singular: são testemunhas do passado e veículos de descobertas científicas. Eles oferecem a possibilidade de interpretações sobre a evolução da vida na Terra e são valorizados como pilares de coleções, acervos e museus. Neste artigo, conceitos como musealização, musealidade e museália emergem como pontos de convergência, onde a Cultura Material e a ciência colaboram para preservar e transmitir conhecimento. Essa colaboração permite que objetos naturais, como os fósseis, sirvam como elos entre tempos remotos e a experiência histórica humana, funcionando como memória do passado, tanto da Terra quanto das próprias relações que se constituem entre os humanos e a natureza. A concepção dos fósseis como objetos-documentos que evocam a memória destaca a capacidade da Cultura Material de ir além das barreiras temporais e comunicar mensagens complexas. Fósseis são remanescentes físicos e também documentos de uma materialidade orgânica que contribuem para a compreensão da história da Terra, atuando como testemunhos e narradores de suas transformações.
Authors: Lucas George Wendt
DOI: https://doi.org/10.18391/revelap.v1i26.4581
Publish Year: 2025